sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Pituaçu em Rede: re-existência cotidiana



Aqueles que acompanham a Cia Pé na Terra sabem que no ano de 2008 inciamos um trabalho de ocupação semanal do parque, levando espetáculos de palhaços. Não satisfeitos com nossa presença todos os domingos, passamos a promover a presença de outros artistas de rua viajantes nesse espaço considerando sagrado para nós, nossa primeira residência artística. Além disso levamos eventos como o Rua das Artes Encontro de Circo do MAR de Palhaças e Palhaços, um forte movimento de palhaçaria em Salvador.

Essa ocupação gerou uma série de frutos, quando em 2015 aprovamos o Projeto Pé de Circo no Parque no Edital Arte em Toda a Parte da Fundação Gregório de Matos (SSA-BA).  A implementação do Curso de palhaço-educador nos territórios de 4 parques de Salvador, dentre eles Pituaçu foi efluente importante para a criação do conceito de Palhaço-Educador trabalhado na Tese de Doutorado "Palhaço-Educador: Arte e Educação Social nos Parques de Pituaçu e Abaeté".

O mais fabuloso disso tudo são os encontros que são gerados. E nessa ebulição da vivência do projeto com a a tese de doutorado eu pude conhecer Fabiano Silva, um produtor o coração da educação social. muitas trocas de idéias e celebração de ação no território do parque de Pituaçu, levantamos sonhos em torno de uma convivÊncia em rede das diferentes potencialidades do território.

Pituaçu é um bairro muito rico em arte, cultura e educação. Mas os diálogos até então não se efetivavam entre as diferentes iniciativas. O papel do Palhaço-Educador seria justamente mediar essa convivência a ponto das iniciativas artístico-culturais-sócio-educacionais co-existirem em rede.

Como num passe de mágica, depois de muitas ações em conjunto de mediação, de ocupação do espaço público com espetáculos e intervenções a parceria entre a Cia Pé na Terra e a A+ Comunidade gerou frutos inesperados.

Acho que criamos uma Egrégora tão forte com nossos sonhos que de repente aparece um outro produtor, morador de Pituaçu, Rubão, com uma idéia de um Festival no PArque de Pituaçu.

Sabe quando um grupo e afinidade se encontra? Pois Rubão mobilizando todos os grupos e iniciativas sociais iniciou sem mesmo saber conscientemente o movimento Pituaçu em Rede.

Pituaçu em Rede consiste em um movimento dos grupos e indivíduos culturais, sociais, artísticos e educacionais de se integrar afim de gerar uma poderosa ação conjunta no território do bairro de Pituaçu.

Desde que as reuniões e articulações do Festival passaram a acontecer uma conexão especial se instalou no bairro.

Baseados num outro paradigma micropolítico, na solidariedade e na generosidade grupos como Escola de Teatro Bumbá, Surf Solidário, Movimento Viva o Parque de Pituaçu, Instituto Búzios, Escologia, Grupo de Capoeira Angola Zimba, Scooby Manutenção de Sons dentre outros vários que foram se integrando e se deram as mãos para um objetivo maior.

Assim, tem acontecido algo incrível, toda semana uma ocupação do parque, uma união entre os grupos na divulgação, Então desde domingo dia .... tem acontecido programações no parque de Pituaçu no intuito não somente de ocupar o parque mas estimular a ocupação do parque pelo cidadão, gerando arte e entrentenimento, esporte e cultura. Educação e sociabilidade.

Não é somente ocupar, mas cuidar. Cuidar das crianças que se encontram hoje em situação de vulnerabilidade. é Dar força aqueles que vÊm na re-existÊncia cotidiana cuidando dessas crianças.

Assim vamos construindo uma nova criação de realidade, em que deixamos de ser vítimas do sistema. PAssamos a simplesmente viver o que nos cabe dentro de nossos sonhos. Percebemos que somos um, que juntos somos fortes e vigorosos e que podemos conquistar até o impossível.

Paramos de resistir por debaixo da pressão do sistema, tomando suas lapiadas e gritando para que parem de nos explorar.

Passamos a re-existir cotidianamente, com a básica agenda do amor nas nossas relações, cultivando respeito às nossas diferenças em busca de um bem maior.


Nenhum comentário:

Postar um comentário