sexta-feira, 14 de abril de 2017

A arte do palhaço e a educação na perspectiva da desescolarização

Não é uma questão de ser contra a escola ou de deixar de aceitar a sua necessidade, ou mesmo de contrapor outros tipos de educação não escolares à educação escolarizada.

Isso nos jogaria ao paradoxo de continuar na corrida. concorrencial, mas agora contra os princípios da concorrência.

Não se trata de usar a arte do palhaço como instrumento para
tentar melhorar a forma de ensinar. 

Trata-se de mudar o paradigma. De silenciar a mente por alguns instantes e recomeçar. 

Trata-se de plantar jardins e florescer para uma nova primavera na vida.  


Trata-se de conectarmos com o que há de mais puro, belo e ridículo que há em nós, para aí podermos enxergar que as crianças são nossos verdadeiros mestres e temos muito o que aprender com elas.


Em Salvador BA
Trata-se de criarmos outras possibilidades de vida a partir do agora, da realidade presente, nos recriarmos constantemente ao invés de cumprirmos os velhos papéis já pré-estabelecidos e deixarmos de definir nossa existência entre reproduzi-los ou negar sua reprodução. 

Assim, como que por continuidade, é uma questão de aprendermos a reinventar a sociedade dentro de práticas cotidianas, utilizando nossos velhos modelos como referenciais importantes que não podem ser negados, mas que também não devem servir ao pretexto da impotência para a mudança.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

A Dor do Homem - na mostra SESC de Artes- Aldeia Olhos D'Água (Feira de Santana-BA)

Cia Pé na Terra apresenta um espetáculo que trata da sofrência humana. 
A dor que todo homem sofreu um dia. Ela é insuportável!!!
Nós sabemos, mas o que fazer? 
O espetáculo utiliza a linguagem do palhaço para tratar um tema adulto, delicado e recorrente.
Apresentamos na Mostra SESC de Artes Aldeia Olhos D'Água em Feira de Santana- BA.
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E mais uma vez o Cabaré Show de Calouros


fui convidado mais ma vez a participar do Cabaré Show de Calouros dentro da programação do encontro Trocando Saberes e Fazeres.


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Cabaré Show de Calouros é um espetáculo de variedades que dialoga o humor do palhaço com a estética dos shows de calouros famosos nos anos 80. Em uma celebração do erro e do ridículo, o Nariz de Cogumelo convida um elenco de artistas para mostrar o seu talento e assim arrancar risos da plateia.

IV Festival Internacional Diamantino de Circo

* Por Igor Sant'Anna Caxambó
Participar do IV Festival Internacional Diamantino de Circo pra mim foi uma honra. Mais do que isso, me senti como se estivesse fazendo parte da escrita de uma nova história. Houve algo de peculiar, muito peculiar neste festival que aconteceu entre os dias 10 e 19 de fevereiro de 2017 no Vale do Capão, distrito de Caeté-Açu, em Palmeiras-BA, e envolveu também outras localidades da Chapada Diamantina.

Foi um festival organizado pela Família de Artistas e Amigos da Arte do Vale do Capão em parceria com o Circo do Capão. Logo de início sentimos a força de algo que acompanha desde as mais antigas referências da história do circo: a força da família!!!


Eu pude juntamente com a Cia Pé na Terra vivenciar na prática e comprovar a veracidade da proposta do Festival inscrito na sua página (http://www.festino.info/historia-do-fesival). 

Foi fabuloso participar desse evento e poder somar a toda essa proposta. Sempre foi princípio da Cia Pé na Terra a arte engajada. Mas não fazemos arte engajada na contestação, ou antagonização de qualquer sistema que não dá certo. Estamos engajados em criar novas realidades. Amadurecermos enquanto seres humanos. Gerar liberdade interior na nossa caminhada. Deixar que a arte cumpra sua função de cura!!!

O IV Festino se destaca logo de início se propondo ao respeito com a realidade local da comunidade, do ambiente. Respeito às crianças ao criar espaços livres de drogas e álcool durante o evento.

A prática de bate-papo sobre temas foi também marca. Participei do bate-papo com o tema "Arte Cura" que contou com a presença de Dr. Áureo Augusto que trouxe um debate incrível sobre a amplitude das possibilidades humanas de cura e a importância da arte nisso tudo.

Foi muito inspirador pra minha proposta que foi num dia posterior, com o tema "O Palhaço-educador: a arte da desescolarização" com debates inspiradores e pessoas maravilhosas.

Além de bate-papo foi muito emocionante apresentar espetáculo Tcharacuthara no festival, um pouco antes do Menzo (Arg) e também oferecer uma oficina cujo cenário foi a lona do circo. 

O festival nos proporcionou um lindo encontro com diversos artistas do mundo. Tinha de Latino-Americano até Europeus de diversos países, apresentando diversas técnicas circenses. Foram espetáculos incríveis, profissionais de responsabilidade. A nossa geração do circo agradece.
Além de Espetáculos de rua, espetáculos no circo. O Cortejo pelo Vale do Capão foi incrível. Miríades de artistas, performances à paisagem dos morros que circundam e abrigam o Vale do Capão.
Esse festival abre um marco diferencial nos encontros, que é o respeito à convivência com os nativos e a prioridade à família, dando exemplo a muitos eventos que venham a ocorrer no Vale do Capão e no mundo.

Saudações
que venham mais
Vida longa ao FESTINO!!!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

II° WORKSHOP Palhaçaria e Educação: a Arte da Desescolarização

Ao falar em desescolarização, é comum ver as pessoas sempre preocupadas como é que as pessoas desescolarizadas podem se dar bem no sistema atual , como podem ser reconhecidas pelas instituições sem ter diplomas, ou como adolescentes excluídos e/o evadidos de escolas públicas poderiam ser salvos pela sociedade sem contar com o apoio da escola e todo seu aporte institucional.
(texto continua abaixo do cartaz)


Quando isso acontece podemos ver qual o sentido real da cultura de escolarização na formatação e condicionamento  das emoções e pensamentos das pessoas. 

O foco de um processo de transmutação do paradigma escolarizado  é rapidamente  desprezado pelo medo do desconhecido, quando se busca garantias em todo aparato institucional como se fosse a única forma de viver

A base da escolarização está no nosso corpo, na desqualificação das nossas emoções, na desconexão entre nossos sentimentos, pensamentos e práticas.

Não conseguir imaginar a real possibilidade de mudança de paradigma é o indício de que sobrevivemos à nossa imaturidade emocional através do medo, controláveis como gado no curral.

Se desescolarizar significa praticar a mudança de paradigma almejada. Passar por transmutações  nas formas de sentir o mundo. Se descondicionar  dos ressentimentos e das expectativas presos no nosso corpo. Voltar a viver na presença e assim viver uma outra vida com outros referenciais.

Sermos nós mesmos, seres  autênticos em constante mudança. 
Sermos a mudança de nós mesmos. 
Sermos a nossa própria criação de nós...

Impressionante que quando falo em desescolarização e todos os seus questionamentos não consigo deixar de enxergar a associação com a arte do palhaço.


Criar o próprio palhaço pessoal é antes de tudo descobrir a si mesmo. Desmistificar a ideia social de nossa personalidade e aceitar com alegria quem somos de verdade. Descobrir a vida que há fora das crenças.

 É realmente viver a vida em nós,  ao invés de viver as crenças dos outros construídas sobre nós.

Uma nova vida pode ser construída a partir daí. Somos capazes de acionar potências esquecidas, guardadas nas lembranças da infância. E assim ultrapassar a perspectiva do sistema ou das alternativas que lhe servem, para criarmos uma outra vida.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

sábado, 17 de setembro de 2016

2° Curso Intensivo de Iniciação à Pesquisa do Palhaço Pessoal




PROPOSTA DO CURSO 
E o palhaço, o que é? Venha descobrir a força desse arquétipo dentro de si! Através deste curso, Igor Sant'Anna, o palhaço Caxambó, convida os participantes para experenciarem o SER PALHAÇO. 

Oferecido para pessoas já iniciadas ou não, com experiência ou não, este curso oferece uma oportunidade de dar START (ou RE-START) na iniciação à pesquisa nas técnicas do palhaço, com o objetivo de extrair o palhaço natural que há dentro de cada um de nós, a inocência inerente a todos, escondida, reprimida pelas máscaras sócio-comportamentais da sociedade.
Um grande palhaço falou que todos nós nascemos palhaços, mas quando crescemos aprendemos a mentir... O foco principal deste curso é a busca pela espontaneidade corporal, como reflexo do que há de autêntico e sincero em nós. 

Mas como continuar espontâneo estando em cena?Sendo o foco?Como silenciar a mente e transferir energia para o resto do corpo e atingir um equilíbrio corpo/mente?


Atingir um estado de consciência cujo parâmetro seja o estar presente, pleno, autêntico e espontâneo, passa por descondicionar nossas atitudes. Como romper as máscaras sociais implantadas no nosso comportamento desde que somos pequenos? 

O curso provoca reflexões acerca dos condicionamentos a que fomos submetidos pelo processo de escolarização espartana, militarista, industrialista e competitiva da sociedade, buscando uma desescolarização através de práticas corporais, energéticas e jogos cooperativos.

CONTEÚDO/METODOLOGIA: 
- RESPIRAÇÃO Técnicas de respiração. Respiração abdominal, intercostal, peitoral em busca de uma respiração completa. Respiração das tensões corporais cotidianas. Respiração das emoções. Respiração como início dos movimentos corporais e como uma maneira de se chegar à consciência corporal.
- DANÇA PESSOAL RITMICA Construção de um ritmo pessoal a partir da ginga da Capoeira Angola. A capoeira angola mistura luta, dança e expressão corporal. Antes de qualquer combate com o outro a capoeira é uma luta contra nós mesmos e as próprias limitações corporais. Serão trabalhados aspectos da corporeidade ancestral da capoeira como ferramenta de autoconhecimento corporal, ritmo pessoal e espontaneidade. Na prática ocorrerá um encontro com uma dança sagrada pessoal que possibilite uma dilatação energética.
- JOGOS COOPERATIVOS Uma maneira de disciplinar o corpo para a produção de máscaras sociais é através da instalação de um sistema de comportamento competitivo. Serão trabalhados diversos jogos cooperativos a fim de dissolver os automatismos de relacionamentos sociais e facilitar o surgimento da espontaneidade coletiva. È um treino essencial para a construção de uma presença pessoal e de uma personalidade cênica.
- DILATAÇÃO ENERGÉTICA Serão trabalhados exercícios individuais que visam a constante reavaliação da dilatação energética humana. Entrar em cena e realizar ações que levem o público a sentir a irradiação do ser. Provocar reações emocionais do público. Se colocar em situações ridículas levam também a estados de energia indescritíveis, se não negarmos a situação ridícula nas quais nos colocamos.

 - CARGA HORÁRIA:  36 Horas
- DIAS E HORÁRIOS: 
22, 23, 29 e 30 de OUTUBRO de 2016
05 e 06 de NOVEMBRO DE 2016 
das 8:30h às 15:30h (com 1h de intervalo para almoço) 


INVESTIMENTO: R$ 300,00 


LOCAL: a confirmar

FACILITADOR: Igor Sant’Anna


Igor Sant´Anna é o palhaço Caxambó, desde o ano de 2005 quando se formou no Curso de Iniciação à pesquisa na Técnica do Clown por Alexandre Luís Casali (SSA). No ano de 2007 funda a Cia Pé na Terra e através da prática constante de atuação na arte de rua cria, atua e dirige números e espetáculos de palhaço. Em 2009 inicia a carreira de pai. Educador dos próprios filhos pratica a desescolarização de si como forma de não atrapalhar o processo educativo do outro. Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia, tem como foco de pesquisa-ação da relação entre a arte do palhaço e a educação desescolarizada.