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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
sábado, 17 de setembro de 2016
2° Curso Intensivo de Iniciação à Pesquisa do Palhaço Pessoal
PROPOSTA DO CURSO
E o palhaço, o que é? Venha descobrir a força desse arquétipo dentro de si! Através deste curso, Igor Sant'Anna, o palhaço Caxambó, convida os participantes para experenciarem o SER PALHAÇO.
Oferecido para pessoas já iniciadas ou não, com experiência ou não, este curso oferece uma oportunidade de dar START (ou RE-START) na iniciação à pesquisa nas técnicas do palhaço, com o objetivo de extrair o palhaço natural que há dentro de cada um de nós, a inocência inerente a todos, escondida, reprimida pelas máscaras sócio-comportamentais da sociedade.
Um grande palhaço falou que todos nós nascemos palhaços, mas quando crescemos aprendemos a mentir... O foco principal deste curso é a busca pela espontaneidade corporal, como reflexo do que há de autêntico e sincero em nós.
Mas como continuar espontâneo estando em cena?Sendo o foco?Como silenciar a mente e transferir energia para o resto do corpo e atingir um equilíbrio corpo/mente?
Atingir um estado de consciência cujo parâmetro seja o estar presente, pleno, autêntico e espontâneo, passa por descondicionar nossas atitudes. Como romper as máscaras sociais implantadas no nosso comportamento desde que somos pequenos?
O curso provoca reflexões acerca dos condicionamentos a que fomos submetidos pelo processo de escolarização espartana, militarista, industrialista e competitiva da sociedade, buscando uma desescolarização através de práticas corporais, energéticas e jogos cooperativos.
Oferecido para pessoas já iniciadas ou não, com experiência ou não, este curso oferece uma oportunidade de dar START (ou RE-START) na iniciação à pesquisa nas técnicas do palhaço, com o objetivo de extrair o palhaço natural que há dentro de cada um de nós, a inocência inerente a todos, escondida, reprimida pelas máscaras sócio-comportamentais da sociedade.
Um grande palhaço falou que todos nós nascemos palhaços, mas quando crescemos aprendemos a mentir... O foco principal deste curso é a busca pela espontaneidade corporal, como reflexo do que há de autêntico e sincero em nós.
Mas como continuar espontâneo estando em cena?Sendo o foco?Como silenciar a mente e transferir energia para o resto do corpo e atingir um equilíbrio corpo/mente?
Atingir um estado de consciência cujo parâmetro seja o estar presente, pleno, autêntico e espontâneo, passa por descondicionar nossas atitudes. Como romper as máscaras sociais implantadas no nosso comportamento desde que somos pequenos?
O curso provoca reflexões acerca dos condicionamentos a que fomos submetidos pelo processo de escolarização espartana, militarista, industrialista e competitiva da sociedade, buscando uma desescolarização através de práticas corporais, energéticas e jogos cooperativos.
CONTEÚDO/METODOLOGIA:
- RESPIRAÇÃO Técnicas de respiração. Respiração abdominal, intercostal, peitoral em busca de uma respiração completa. Respiração das tensões corporais cotidianas. Respiração das emoções. Respiração como início dos movimentos corporais e como uma maneira de se chegar à consciência corporal.
- DANÇA PESSOAL RITMICA Construção de um ritmo pessoal a partir da ginga da Capoeira Angola. A capoeira angola mistura luta, dança e expressão corporal. Antes de qualquer combate com o outro a capoeira é uma luta contra nós mesmos e as próprias limitações corporais. Serão trabalhados aspectos da corporeidade ancestral da capoeira como ferramenta de autoconhecimento corporal, ritmo pessoal e espontaneidade. Na prática ocorrerá um encontro com uma dança sagrada pessoal que possibilite uma dilatação energética.
- JOGOS COOPERATIVOS Uma maneira de disciplinar o corpo para a produção de máscaras sociais é através da instalação de um sistema de comportamento competitivo. Serão trabalhados diversos jogos cooperativos a fim de dissolver os automatismos de relacionamentos sociais e facilitar o surgimento da espontaneidade coletiva. È um treino essencial para a construção de uma presença pessoal e de uma personalidade cênica.
- DILATAÇÃO ENERGÉTICA Serão trabalhados exercícios individuais que visam a constante reavaliação da dilatação energética humana. Entrar em cena e realizar ações que levem o público a sentir a irradiação do ser. Provocar reações emocionais do público. Se colocar em situações ridículas levam também a estados de energia indescritíveis, se não negarmos a situação ridícula nas quais nos colocamos.
- CARGA HORÁRIA: 36 Horas
- CARGA HORÁRIA: 36 Horas
- DIAS E HORÁRIOS:
22, 23, 29 e 30 de OUTUBRO de 2016
05 e 06 de NOVEMBRO DE 2016
das 8:30h às 15:30h (com 1h de intervalo para almoço)
05 e 06 de NOVEMBRO DE 2016
das 8:30h às 15:30h (com 1h de intervalo para almoço)
INVESTIMENTO: R$ 300,00
LOCAL: a confirmar
FACILITADOR: Igor Sant’Anna
Igor Sant´Anna é o palhaço Caxambó, desde o ano de 2005 quando se formou no Curso de Iniciação à pesquisa na Técnica do Clown por Alexandre Luís Casali (SSA). No ano de 2007 funda a Cia Pé na Terra e através da prática constante de atuação na arte de rua cria, atua e dirige números e espetáculos de palhaço. Em 2009 inicia a carreira de pai. Educador dos próprios filhos pratica a desescolarização de si como forma de não atrapalhar o processo educativo do outro. Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia, tem como foco de pesquisa-ação da relação entre a arte do palhaço e a educação desescolarizada.
I
Saiba mais: Saiba Mais:http://www.aratuonline.com.br/noticias/palhaco-materia-ainda-nao-concluida/
Saiba mais: Saiba Mais:http://www.aratuonline.com.br/noticias/palhaco-materia-ainda-nao-concluida/
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Workshop de Palhaço: A arte de ser espontâneo
QUANDO ? Sábado 10 de setembro de 2016
ONDE? Espaço Giuó , Rua Odilon Santos, n. 202, Rio Vermelho ( próximo à boate Comons, é uma casa branca com molduras das janelas amarelas)
HORÁRIO? 8h às 15h (com uma hora de intervalo)
QUANTO? r$100,00
obs: A oficina só acontecerá caso haja um mínimo de inscritos. Caso contrário adiaremos.
FOTO? Nti Uirá
INSCRIÇÕES E MAIORES INFORMAÇÕES:
penaterra2008@gmail.com
9 9225 2825 (tim/zap)
O "Workshop de palhaço: a arte de ser espontâneo" trabalhará os princípios da arte do palhaço para a busca da espontaneidade natural presente em cada ser humano.
Nascemos livres, porém no decorrer da vida sentimos necessidades de criar defesas corporais que se materializam em máscaras socio-comportamentais.
Assim, como uma caminho de ida sem volta, nos tornamos prisioneiros de nossas próprias máscaras. Sentimos que não conseguimos nos expressar e quando conseguimos somos tomados por conceitos sobre quem nós somos.
Assim como as nossas crianças interiores ficam reprimidas, todos os nossos conceitos de mundo estão condicionados. A arte do palhaço tem a função de transgredir o pré-estabelecido, o dado, o ante-posto, e nos auxiliar a caminhar para a nossa essência, nossa criança interior.
Esse Workshop foi idealizado por Igor Sant'Anna Caxambó a partir de observação de o quanto a arte do palhaço influenciou sua vivência cotidiana com seus filhos e com as pessoas em geral.
Por isso é especialmente indicada para pais, mães, cuidadores, educadores. Mas é uma oficina que serve e muito ao espírito livre que está dentro de cada ser humano.
Igor Sant´Anna é o palhaço Caxambó, desde o ano de 2005 quando se formou no Curso de Iniciação à pesquisa na Técnica do Clown por Alexandre Luís Casali (SSA).
No ano de 2007 funda a Cia Pé na Terra e através da prática constante de atuação na arte de rua cria, atua e dirige números e espetáculos de palhaço.
Em 2009 inicia a carreira de pai. Educador dos próprios filhos pratica a desescolarização de si como forma de não atrapalhar o processo educativo do outro.
Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia, tem como foco de pesquisa-ação a relação entre a arte do palhaço e a desescolarização da educação.
ONDE? Espaço Giuó , Rua Odilon Santos, n. 202, Rio Vermelho ( próximo à boate Comons, é uma casa branca com molduras das janelas amarelas)
HORÁRIO? 8h às 15h (com uma hora de intervalo)
QUANTO? r$100,00
obs: A oficina só acontecerá caso haja um mínimo de inscritos. Caso contrário adiaremos.
FOTO? Nti Uirá
INSCRIÇÕES E MAIORES INFORMAÇÕES:
penaterra2008@gmail.com
9 9225 2825 (tim/zap)
O "Workshop de palhaço: a arte de ser espontâneo" trabalhará os princípios da arte do palhaço para a busca da espontaneidade natural presente em cada ser humano.
Nascemos livres, porém no decorrer da vida sentimos necessidades de criar defesas corporais que se materializam em máscaras socio-comportamentais.
Assim, como uma caminho de ida sem volta, nos tornamos prisioneiros de nossas próprias máscaras. Sentimos que não conseguimos nos expressar e quando conseguimos somos tomados por conceitos sobre quem nós somos.
Assim como as nossas crianças interiores ficam reprimidas, todos os nossos conceitos de mundo estão condicionados. A arte do palhaço tem a função de transgredir o pré-estabelecido, o dado, o ante-posto, e nos auxiliar a caminhar para a nossa essência, nossa criança interior.
Esse Workshop foi idealizado por Igor Sant'Anna Caxambó a partir de observação de o quanto a arte do palhaço influenciou sua vivência cotidiana com seus filhos e com as pessoas em geral.
Por isso é especialmente indicada para pais, mães, cuidadores, educadores. Mas é uma oficina que serve e muito ao espírito livre que está dentro de cada ser humano.
Igor Sant´Anna é o palhaço Caxambó, desde o ano de 2005 quando se formou no Curso de Iniciação à pesquisa na Técnica do Clown por Alexandre Luís Casali (SSA).
No ano de 2007 funda a Cia Pé na Terra e através da prática constante de atuação na arte de rua cria, atua e dirige números e espetáculos de palhaço.
Em 2009 inicia a carreira de pai. Educador dos próprios filhos pratica a desescolarização de si como forma de não atrapalhar o processo educativo do outro.
Doutor em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia, tem como foco de pesquisa-ação a relação entre a arte do palhaço e a desescolarização da educação.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Curso Intensivo de Iniciação à Pesquisa do Palhaço Pessoal
SAIBA MAIS SOBRE A PROPOSTA DO CURSO CLICANDO AQUI Proposta do curso
VOCÊ JÁ SABE A PROPOSTA E QUER SE INSCREVER DIRETAMENTE? ACESSE AQUI o Formulário de inscrição
sábado, 28 de maio de 2016
Palhaços-educadores no combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
Por Igor Sant'Anna Caxambó
A Cia
Pé na Terra tem como um de seus princípios basilares a pesquisa relacionada à
prática da arte do palhaço associada à intervenções educativas.
No dia
19 de maio de 2016, fizemos contratados pela Bahia Norte uma intervenção de
Palhaços-educadores especialmente envolvida com a temática do Dia Nacional de
Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Mais
uma vez essa arte pode oferecer seus serviços para além do entreter e fazer
rir, propondo reflexões, transgressões e transformação de consciências acerca
de um assunto que é ao mesmo tempo grave e delicado na realidade brasileira.
Fomos à Escola
Municipal Pasto de Fora do Município de Candeias e na Escola Municipal Irmã
Dulce no Município de Simões Filho. Realizamos espetáculo de
palhaços abordando cenas cotidianas de abuso e exploração sexual de Crianças e
Adolescentes, explicitando de forma lúdica elementos que caracterizam a mesma.
Caxambó, Didi Siriguela
e Pernácio entraram em cena, apresentaram números clássicos da palhaço. Após criar empatia com a plateia, foram
encenadas situações de exploração sexual infantil com ênfase em atenção,
prevenção e medidas a serem tomadas.
Tudo apresentado em
formato de espetáculo circense, com mensagens não somente passadas verbalmente,
mas demonstradas cenicamente, até que a tensão do tema foi aos poucos se sobrepujando
à ludicidade da palhaçaria.
Através da arte do
palhaço nos vimos entrando nos corações daquelas crianças e adolescentes até
que se tornou inevitável parar o espetáculo tirar o nariz e falar seriamente
sobre o assunto com os presentes.
Segundo Morais et all (2007)[1] a
Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes (ESCCA) é um fenômeno
que tem sido descrito em várias partes do mundo sendo sua visibilidade no
Brasil ocorrida a partir da década de 1990
com a realização da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou
denúncias envolvendo menores de 18 anos comercializados sexualmente.
Nessa CPI ficou claro o
quanto os caminhoneiros são um dos principais personagens envolvidos no
fenômeno da ESCCA, juntamente com os pais das crianças e adolescentes
explorados, policiais e donos de boate.
A visão sobre crianças
e adolescentes como seres sexuais e sua respectiva culpabilização ou a
referência à situação de pobreza dessas crianças e adolescentes como causa da
sua exploração sexual infantil demonstram a falta de responsabilização da
sociedade adulta como uma característica de um contexto sócio-cultural pouco
atento aos diversos condicionantes da exploração sexual comercial infantil.
O tratamento do
fenômeno requer a busca por um amplo processo de mudança de culturas e valores
a fim de romper a ignorância diante das consequências nefastas e prejuízos que
a situação de abuso pode acarretar no desenvolvimento dessas crianças e
adolescentes.
A arte do palhaço contém em suas características intrínsecas, potência
de comunicação humana com capacidade de denunciar o erro, os sofrimentos, a
opressão, o orgulho. Em outras palavras, reduz cenicamente, através da
ludicidade, as grandes estapafúrdias humanas, tornando-as cômicas, risíveis.
Através do riso, o palhaço propõe reflexões facilmente evitadas no
cotidiano pelas pessoas. O riso catártico permite ao palhaço ir mais longe, um
pouco mais a fundo, sem, no entanto machucar as feridas que cicatrizaram por
fora e que mantiveram-se vivas por dentro.
Nós três (eu, Carla de Miranda e Eduardo Valverde) nos vimos diante de
um grande desafio. Como abordar um assunto de tamanha gravidade com crianças e
adolescentes? Como abordar através da inocência do palhaço algo que é tão cruel
e maldoso? Nós que sempre cumprimos a missão de trazer as pessoas para o mundo
da ludicidade... que muitas vezes optamos por nem tirar o nariz na frente de
crianças a fim de não quebrar a magia da relação estabelecida.
Dessa vez sentimos na consciência qual a necessidade da educação na
palhaçaria. Precisávamos usar nossa arte para que algo fosse feito por quem
vive o risco de ter sua inocência arrancada. Tornamo-nos não somente os
inocentes de nariz, mas aqueles que traziam a mensagem da malícia para que a
maldade não se sobrepujasse.
Desejamos que não fosse assim, mas infelizmente tive que falar coisas para
aquelas crianças que nem falo pra meu filho. São crianças e adolescentes que
podem tornar-se vítimas e precisam de recursos ao mínimo ideológicos para
poderem se defender de tal situação.
No final das contas percebemos o quanto poderosa é a arte do palhaço e o
quanto foi importante terem recebido essa mensagem pelo riso, pelo carinho da
palhaçaria...situação delicada!
No final de tudo colocamos o nariz de novo e apresentamos mais um número
de palhaço. Na despedida quisemos deixar bem claro que existe a maldade no
mundo. Devemos nos cuidar, mas devemos seguir em frente confiando na vida e
plantando boas sementes.
Todos somos responsáveis em fazer um mundo melhor, todos somos
responsáveis, juntos e unidos, em compor uma nova realidade para o nosso
planeta. Que os bons se fortaleçam. Que a inocência sempre vença.
[1]
MORAIS, Normanda Araújo . Exploração Sexual Comercial de Crianças e
Adolescentes: Com caminhoneiros brasileiros. Revista Psicologia : teoria e
pesquisa. Brasília, DF. Vol 23, n.3 (jul/set2007), p.263-271. Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/20545.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Pé de Circo no Parque 2015
O Projeto Pé de Circo no Parque da Cia Pé na Terra, foi aprovado no Edital Arte em Todas Parte Ano II da Fundação Gregório de Matos. No 1° semestre de
2015 realizamos ações de mediação cultural em 4 territórios da
cidade de Salvador incluindo parques e bairros do entorno (Parque de
Pituaçu, Abaeté, Joventino Silva e São Bartolomeu) cujo foco dessa mediação foi a formação na arte do palhaço como um exímio instrumento de educação social e cidadã nas comunidades periféricas da cidade.
Foram
oferecidas 40 horas do curso de palhaço-educador, formamos assim 51
jovens e adultos que se envolveram em ações formativas como
espetáculos de rua e cortejos Picadeiros Andantes. Essas ações
permitiram o acesso direto desses jovens e adultos ao maravilhoso
universo da palhaçaria, além de impactar com um sucesso de público
de mais de 6000 pessoas, com grande repercussão nas comunidades em
que foram executados.
O
principal ganho do projeto foi a criação de redes dos alunos que
foram formados, principalmente entre Pituaçu e Abaeté. Todos os
profissionais envolvidos constataram a importância dessa formação
para comunidades carentes e todos tinham alguma constatação através
de depoimentos em aulas de mudanças que ocorreram na comunidade,
sendo a mais marcante a de uma aluna se referindo a um aluno
envolvido com tráfico que sempre andou nas ruas de seu bairro armado, assustando as
pessoas, que após o curso esse aluno está sempre com nariz
brincando com as crianças efetivando-se assim uma mudança de clima na localidade em que
reside.
Além
disso através desse projeto apoiado pelo edital da Fundação
Gregório de Mattos conseguimos rearticular o MAR de Palhaços, um
movimento de palhaçaria de rua soteropolitano que em uma mesa
redonda discutiu a possibilidade de atuação em rede dos palhaços
de rua.
Além do
sucesso de público e do impacto artístico, social e educacional, o
projeto Pé de Circo no Parque também gerou um impacto científico.
Atualmente, os resultados do projeto estão sendo o principal objeto
de estudo da pesquisa de doutorado vinculada ao Programa de
Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do
Estado da Bahia. A tese é de Igor Sant'Anna Caxambó, fundador da Cia Pé na Terra que aborda em seu estudo o conceito de palhaço-educador e sua relação com as práticas sociais de educação para a sustentabilidade nos parques
metropolitanos de Pituaçu e Abaeté.
PÉ DE CIRCO NO PARQUE: AÇÃO QUE NASCEU DE UMA AÇÃO INDEPENDENTE DE RUA
Desde
2008 a Cia Pé na Terra trabalha no intuito de enraizar a arte do
palhaço no Parque de Pituaçu, fazendo apresentações semanais,
gerando cultura de arte de rua. Hoje sabemos que o público já
conhece o parque como um lugar onde tem apresentações de palhaços.
depois do Pé de Circo no Parque vislumbramos a possibilidade de isso
se fortalecer ainda mais em Pituaçu e de se expandir para outros
territórios. Formando outros palhaços de rua com tino educativo
sabemos que estamos contribuindo com a classe circense, com a arte de
rua e com os espaços públicos.
É como
plantarmos uma árvore, um “PéDe Circo” no parque e esse “PéDe
Circo” crescendo vem dar frutos e cada vez mais o povo “PéDe
Circo” nos parques. Mesmo com nosso esforço e de outros artistas
sabemos que que somos poucos fazendo arte de rua em Salvador. Com
nossa experiência nos damos conta o quanto nossa ação surtiu
efeito, quanto o nosso povo carece de arte de rua e quanto é
importante uma programação de artistas de rua em espaços públicos
principalmente com o encantamento que o circo pode produzir.
Os
palhaços da Cia. Pé na Terra se tornaram marca patrimonial do
território e o Parque de Pituaçu ficou marcado como uma referência
na cidade de Salvador onde as pessoas poderiam ir e encontrar o
circo, além das belezas naturais do parque.
Dentro de
8 anos de existência da Cia. Pé na Terra, já são 7 anos com essa
ação que visa fortalecer o espaço público do Parque de Pituaçu e
contribuir para o sentimento de pertencimento das pessoas a um
patrimônio socioambiental importante para a qualidade de vida dos
habitantes da cidade de Salvador. Em 2010 juntamente com outros
grupos de palhaços a Cia Pé na Terra funda o MAR (Movimento
Abre-Rodas de Palhaços) que nasce de uma ação coletiva com cerca
de 15 palhaços no Parque de Pituaçu, gerando uma metodologia
própria de formação de palhaçaria de rua. Temos com essa formação
a oportunidade de crescimento desse movimento e de assim fazer
história nos espaços públicos da cidade.
Por outro
lado notamos o potencial para arte de rua que os parques tem,
justamente por ser um espaço público que atrai tanto moradores das
comunidades que habitam o entorno quanto visitantes em geral,
moradores de outros bairros e turistas.
Nesses 7
anos vimos notando a necessidade de ir além da realização de
espetáculos. Para manter uma continuidade é importante mobilizar a
população local que habita o entorno do parque gerando ações
formativas no intuito de deixar multiplicadores dessa ação agindo
cotidianamente e em rede para manter uma programação permanente
nesses espaços públicos. Percebemos que depois de plantar o Pé de
Circo são necessários os multiplicadores para contribuir com o
enraizamento do circo nos espaços públicos.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Cia Pé na Terra: 8 anos de palhaçaria e desescolarização
Por
Igor Sant'Anna Caxambó
Estamos
inteirando 8 anos de Cia Pé na Terra. Isso me lembra nos idos tempos
quando eu e Carla de Miranda (Didi Siriguela) começamos nosso
trabalho, fomos morar em Pituaçu e começar um trabalho no Parque de
Pituaçu. Naquela época decidimos viver de nossa arte, era uma
grande salto. Estávamos escravos de empregos que nos oprimiam e o
valor da liberdade nos despertava através da arte do palhaço.
Formulamos nossa estratégia, com algum medo, mas um encorajando o outro, nos casamos. Fomos morar juntos. O dinheiro do chapéu era nossa única garantia para pagar o aluguel. Não éramos tão experientes, mas confiamos e nos jogamos.
Não
demorou tanto e ficamos grávidos. Uma outra história. Tudo muda.
Começamos a nos interessar pela educação, mas nossa forma de ver o
mundo através do que começamos a viver (arte de rua, palhaçaria)
nos impulsionava a criar outra realidade de vida, de criar um filho
livre dessas opressões tão crueis do sistema. Descobrimos a
desescolarização e tudo passou a se encaixar.
Só na
teoria não adianta. às vezes falamos tão bem de algo como
papagaios. às vezes fazemos isso com idéias super revolucionárias,
mas não conseguimos usar essas idéias completamente, na prática
pra reformular nossas emoções. Sempre é uma questão de escolha. E
mudar sempre dá um trabalho a mais.
De
cara uma associação: Se não usamos os desafios que as crianças
nos propõem para evoluirmos, acabamos submetendo elas a relações
de poder crueis, muito aceitas por nós. O mesmo acontece com o
palhaço. Se não usamos sua capacidade criadora submetemos ele
processos escolarizantes. Limitamos sua ação nas nossas vidas.
Basta não usar, basta se acomodar e a mente mantém a gente nos
paradigmas antigos, escolarizados, capitalistas.
Descobrimos
na prática que um dos princípios mais crueis da escolarização é
incluir nas nossas crenças e existências a escassez enquanto
princípio de existência. A escolarização nos amedronta, pessoas
destemidas não são facilmente controláveis. Não precisamos de
ameaças externas. A ameaça está implantada dentro de nós.
O
sistema se auto regula com pessoas acreditando que devem copiar o
modelo capitalista pra sobreviver. Ou se submete ao emprego ou copia
o empresário. Esquece de usar seu poder criador para expandir sua
arte, sua ação. Necessidades desnecessárias de consumo são
implantadas no terreno das nossas baixas estimas. Nossos desejos
foram programados e temos que aprender aina como viver fora da
competitividade.
O que
experienciamos nesses 8 anos, de maneira crescente e cada vez mais
avassaladora, é a possibilidade real de viver a generosidade, a
irmandade, a abundância. Isso é verdadeiramente liberdade. Isso nos
liberta daqueles paradigmas de uma cultura escolarizada que vai
contra o que há de mais belo no ser humano.
Com o
palhaço cultivamos o que há de mais belo em nós, nossa pura
presença, nossa pura emoção. Devemos sim submeter nossa vida às
nossas necessidades emocionais. Descobrimos que abundância não é
excesso de dinheiro, mas ter aquilo de que realmente precisamos.
A
escolarização nos deturpa a consciência e nos impõe
desejos ilusórios. Não enxergamos nossas necessidades verdadeiras,
humanas. Através de arte do palhaço transmutamos nossa necessidade
de trabalho em função. Estamos cumprindo uma função social, muito
linda por sinal. O trabalho é em nós...já se foram 8 anos e ele
continua...
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